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Para estarmos aqui, muita coisa aconteceu, se fôssemos relatar com alguns detalhes, com certeza isto daria muitas páginas, pois são mais de 20 anos dedicados ao Acordeon, história de alegrias e tristesas, conquistas e derrotas, motivação e desânimo, mas enfim, chegamos aqui por que tiramos proveito das pedras e do horizonte.
Mano Monteiro participou da extinta fábrica de bandoneôes Danielsson de Santa Rosa, a esta fábrica ao longo de 10 anos foram agregadas máquinas, ferramentas e tecnologias das fábricas de acordeões Universal, Scala, Veronese e por fim Hering, com esta fusão com certeza o conhecimento foi de grande valia.
Mas o destino traçou outro caminho, após um grande periodo dedicado a manutenção de acordeões e sentindo muita dificuldade nesta área, Mano Monteiro tenta reverter esta situação e após muita pesquisa e trabalho, fechando 20 anos dedicados a este "amigo do peito", consolida uma empresa familiar e alem de continuar com a manutenção, passa a fabricar peças para acordeôes.
Da fabricação a expedição contamos com a parceria de 45 empresas e uma equipe de 9 pessoas.
Da esquerda para a direita: Mano Monteiro, Rosane Ramos Monteiro, Fernando Ramos Rothi, Sandra Ramos, Fernando Monteiro Pieretti, Zulma Bertelli, Cristiano Ramos e Ieda Monteiro
Luiz Matheus Todeschini foi um dos maiores empresários do Brasil e o maior fabricante da acordeon da América Latina, o sonho de Todeschini terminou com uma tragédia, um incêndio em sua fabrica, numa sexta feira 13 de agosto de 1972. Ouvindo
os relatos da família, senti a dor... e digo, pior que aquele momento, só a morte. O sucesso de Todeschini foi baseado em três fatores, ideal, equipe e trabalho, alem disso L.M Todeschini era uma pessoa muito bondosa, estava sempre pronto para ajudar, auxiliar ou fazer parceria em algo que pudesse beneficiar a comunidade. Não merecia este fim. Identifiquei-me muito com L.M.Todeschini, pois também tive minha fábrica de acordeon que também ruiu. Não vai surgir outro Todeschini, não vai surgir outro Acordeon Todeschini, mas em respeito à esta historia, o mínimo que temos que fazer é prolongar a vida deste instrumento produzindo peças de reposição, pois desta forma estamos dando continuidade a este sonho.
Mano Monteiro
Em 2005 fomos a Bento Gonçalves visitar Alcides Todeschini, filho de L.M.Todeschini e administrador da fabrica na época, ao mesmo tempo em que saímos
de lá feliz com o tratamento que nos foi dado, saímos tristes, pois Alcides e sua esposa Maria Lorena, nos relataram histórias de sucesso e tragédias. Na época a comoção foi muito grande, porque o esforço desta família para manter a comunidade e a fabrica unida era muito grande, pois com certeza a fábrica era a extensão cada família.
Rosane Ramos Monteiro
Meu pai investiu muito para fabricar peças para os acordeões Todeschini, até acho a história parecida, pois começamos trabalhando em uma casa velha de madeira e hoje estamos em um lugar decente para receber as Todeschini. Constantemente recebemos agradecimento por estarmos fazendo tudo isto por estes acordeões.
Pâmela Ramos Monteiro
Apesar de trabalhar um bom tempo com acordeões e saber da complexidade que é este instrumento, sempre questiono meu tio se um dia não podemos fabricar uma Todeschini, e a resposta é sempre a mesma... Um acordeon para ser fabricado, tem que estar no mínimo à altura de uma Todeschini... talvez um dia.
Cristiano Ramos
Trabalhamos em família, e foi em 2005 que meu irmão resolveu conhecer
melhor a historia da Todeschini, e acabou contagiando a todos nós, passamos a ver os acordeões de uma forma diferente, pois o que Luiz Todeschini fez por sua fábrica, por seus funcionários e pelos que estavam a sua volta, poucos fizeram, a fabrica era a sua família, tenho certeza.
Ieda Monteiro
Agradeço a Luiz Todeschini (filho) e sua esposa Maria da Gloria Todeschini, Euclides Todeschini e sua esposa Maria Lorena Todeschini, pelo nascimento desta bonita amizade, a qual deu nova vida a mim e a minha equipe e, postumamente, a Luiz Matheus Todeschini, pela sua brilhante história. Obrigado!
Mano Monteiro
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